quem sou eu

Simples, complexo e único.
Um plano diferente de Deus.
Belo, poeta e conciso. (Prolixo quando necessário.)
Amado, amante e amigo.
Pseudo-filósofo, aspirante a psicólogo, possível escritor, futuro poliglota e, quem sabe, algo mais.
Só Pedro. Mesmo!

 

 

 

 

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terça-feira, setembro 27, 2005

O infinito de nós dois

Tudo (re)começou quando meu irmão me convidou pra passear pela floresta. Muitos amigos estavam lá, e era um lugar onde a comunicação era facilitada. Caminhando em meio às árvores que preenchiam a ambiguidade daquela selva, por acaso encontrei uma moça que tinha um rostinho familiar. Outrora princesa em um reino distante e quase sepultada no mausoléu das lembranças longínquas, ainda estava bem viva, e chamava-se agora Branca de Neve. Apesar de toda atração que provocava, era notável o fato de que tinha sofrido um acidente. Não sei se foi um tombo, uma maçã(saborosa e envenenada)ou sei lá o quê, mas os efeitos do desastre eram perceptíveis. Parecia um pouco tonta e desorientada, tanto que ao me ver julgou tratar-se de um príncipe. Na verdade, acho que isso deve ser consequência de uma sequela permanente, pois apesar de já estar bem melhor ainda não se convenceu do contrário.(Por mim tudo bem!)
Após essa aproximação tímida e discreta, o reconhecimento foi inevitável. Os laços afetivos foram aos poucos retomando e superando os antigos níveis de proximidade, mesmo tão distantes(nós e os antigos laços), despertando intenções mais profundas, pelo menos do lado de cá do rio- eu esqueci de citá-lo.(É ele que ainda nos separa temporariamente.) Mas a tentativa de ocultar meus interesses por algum tempo, foi frustrada. Logo fui intimado a depor no tribunal das relações e tive de confessar meus desejos ambiciosos. O fato de eu não ser réu primário "agravou" ainda mais a minha situação, aumentando a pena a que eu seria condenado. Condenação não é a palavra certa para tal bênção. É alguma coisa que me prende à eterna liberdade de amar. Nesse caso, então, espero prisão perpétua.
A reciprocidade é mútua, algo que nem a redundância é capaz de descrever com precisão. A maturidade infantil que nos une também é inefável. E dou "graças a Deus pelo seu dom inefável."(IICor. 9:15) As consequências estonteantes são naturais(como pode-se perceber facilmente lendo as palavras das postagens anteriores), mas causam uma sensação agradável apesar de um tanto entorpecedora. O amor e a surpresa juntos são surpreendentemente amáveis.
A necessidade metafísica da presença sensível está além do tátil. O amor é bem maior do que suas manifestações físicas. "Deus é amor."(IJo. 4:8) Agora acho que estou conhecendo-o um pouco melhor pois "aquele que não ama não conhece a Deus"(Idem).
Nosso caso me fascina tal qual o infinito. Qual o conjunto é maior: o dos números inteiros ou o dos reais? Geralmente respondem que é o dos reais, porque o dos inteiros está contido nele. Ora, não são ambos infinitos, então que história é essa de um infinito maior que o outro?*(Tá vendo, Clarinha, existem perguntas sem respostas!)Tudo isso não é fascinante? Meu amor também. Acho que é isso que diferencia os poetas(mesmo que da prosa) dos meros oradores. Se as palavras fogem dos oradores, seu trabalho está comprometido, enquanto o dos poetas vai muito além delas.
Voltando para a floresta da qual ainda não saímos, agora acho que são cabíveis aqueles meus versinhos ingênuos:
"Vi um jardim de flores
Belas rosas naquele jardim.
E de todas a mais bela
Foi aquela que olhou pra mim."
A estranheza, a anormalidade, a "literariedade", a graça, a infantilidade, a maturidade, enfim tudo é encantador no nosso caso.
Nos tempos não tão distantes do meu processo de crescimento moral, cheguei a pensar que a Clarinha pudesse estar se tornando uma personagem do meu próprio "Reino de Yr"(um pouco menos louco que o de Déborah-Nunca lhe Prometi um Jardim de Flores). Não(!), é a esquizofrenia da esquizofrenia do cotidiano trazendo-me de volta à realidade. Ela é real!
O futuro promete e o presente fascina... O passado também faz parte dessa história em construção(que óbvio!).

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